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Cartas na Areia: os editoriais que só o Brasil leu

banner_oficialMais um post em parceria com a Editora Intrínseca, para divulgação do livro O Oceano no Fim do Caminho

Visite o hotsite sobre Neil Gaiman da Editora Intrínseca.

Compartilhe nas redes sociais, utilize a hashtag #MergulheEmNeilGaiman e veja todo o conteúdo especial preparado sobre o autor.

Olá Amigos e Sonhadores!

Imagem de capa

Infelizmente como nos disse Morpheus  na imagem acima, “todo tempo de brincar deve ter um fim e o sonho está terminando”. Se você ainda não participou dos sorteios que estão acontecendo aqui pelo site Neil Gaiman Brasil e pelos outros sites parceiros da Editora Intrínseca, não perca tempo! Esta é a penúltima postagem da série que comenta detalhes das obras de Gaiman, pelo lançamento de seu último livro, e em especial minha última postagem para esta ocasião. Ah, não chorem! Vocês partem meu coração desse jeito! Prometo que semana que vem estarei por aqui com novidades  mas,  se estiverem chorando por não participarem do sorteio tenho então apenas duas palavras de conforto:  só lamento!

Na postagem “Bandas citadas por Gaiman”  eu comentei sobre os editoriais bárbaros que a série Sandman teve no Brasil. E pasmem, foi mesmo só no Brasil. Ao menos naquela época, entre 1989  e 1990, os editoriais nas HQ’s não pareciam bem vistos pelas editoras, algo que mais tarde perceberíamos como ledo engano  pois foram eles que deram brilho e vida aos personagens, nos aproximando dos mesmos  através de comentários, citações de obras de arte, filmes, músicas e até mesmo de outras histórias em quadrinhos ou outros artistas sequenciais.

Cartas na areia Little Nemo

Os editoriais de Sandman, carinhosamente batizados de  “Cartas na Areia”  constituíram um marco na história do contato da editora com o público dentro do Brasil e criaram uma nova forma de cativá-lo: ouvir o que ele pensava, dar espaço para que se manifestasse e permitir que o autor soubesse o que se passava com seu público aqui. Neil Gaiman não acompanhou em tempo real, digamos, o trabalho que foi feito nestes editoriais mas soube mais tarde da iniciativa e reconheceu que ela foi única e brilhante.  Não quero dizer que nunca tenha existido um editorial onde acontecesse a participação do público. Isso ocorria nas edições dos anos 60 de “Fantasma”, onde o “próprio herói” respondia cartas das crianças contando sobre a vida na África e suas aventuras  e também era muito comum nas revistas de “Tarzan” durante os anos 50, onde as cartas enviadas por mães –coruja lotavam a sede da editora buscando uma vaga para seus graciosos filhos entre os “Garotos Toddy”.  

fantasma_toddy

O que aconteceu em “Cartas na Areia” foi mágico no sentido de acreditarmos que  aqueles  “caras” que nos respondiam  as cartas eram os canais mais diretos e o que de mais próximo teríamos de Gaiman, e criávamos por eles um carinho todo especial. Estas pessoas tinham nomes, uma vida, falavam um pouco de si vez ou outra em seus textos – e assim nos deixavam saber que eles eram também enormes fãs de Gaiman e partilhavam de seus gostos e interesses, despertando em nós o desejo de buscar estas informações mais a fundo para entender a criação por completo. Tal desejo de expressão seria motivado pela liberdade pós militarismo? Não sei, mas  como disse antes estes editores tinham nomes, e todos nós, colecionadores, devemos muito a eles por isso: Leandro Luigi Del Manto, aquele que “peitou” as Editoras quando elas afirmavam que os tais editoriais eram material “para encher linguiça”  na publicação,  se largou a responder cartas  e mais cartas de seguidores da saga, com a ajuda de seu então auxiliar Sidney Gusman e ambos, essa dupla incrível, passaram a rechear de cultura nosso gibis que já não eram mais meros quadrinhos, eram arte, assim como o que eles escreviam em seus textos.  E que editoriais magníficos eram aqueles!cartas2

Se não bastassem as “Cartas na Areia”  ainda existiam os editoriais internos lançados com a revista, batizados de “HQ Press”.  Um momento  auto-didata  de ambos onde eles soltavam-se, comentando séries que estariam prestes a serem lançadas no Brasil ou artistas  por quem eles eram apaixonados e que, dentro daquele espaço, recebiam todo o carinho de fãs especialistas que já eram esses dois.  Se isso era “encher linguiça”, gostaria de ter um frigorífico inteiro delas neste momento e, por que não se fazem mais linguiças como antigamente?!

HQ PRESS gusman

Montando este texto percebo que sinto saudade da qualidade com que eram recheadas as revistas a anos atrás. Essa tradição perdeu-se ou o que se perdeu foi o hábito de querer saber mais sobre o que se consome? A velocidade de nossa década atual talvez tenha acabado com a beleza deste tipo de trabalho, infelizmente. Fica aqui portanto um abraço de agradecimento em um texto que não faz justiça a todo trabalho que ambos executaram pela obra Sandman, mas que expressa o sentimento mais sincero de uma fã e colecionadora, na quase totalidade, por culpa de vocês. Espero sinceramente que este material desperte a curiosidade sobre o histórico de Sandman no Brasil, sobre as demais obras de Gaiman e mais uma vez, como no passado  sobre quem são vocês, os editores, que fazem com que essas obras cheguem até nossas amadas prateleiras. Meu mais forte abraço a Leandro e Sidney, por tudo o que fizeram e ainda fazem ( cada vez mais não? Devir e Maurício de Souza Produções são a prova!) por todos nós.

HQ PRESS del manto

E a vocês leitores que me acompanharam nestes dias por aqui, outro grande abraço e continuem sonhando, nos falaremos em breve!

Fontes, Paixões e Referências:

SANDMAN # 9  –  O Mestre dos Sonhos, Editora Globo, 1990.

SANDMAN #11 –  A Casa de Bonecas parte 2, Editora Globo, 1990.

SANDMAN # 12 – A Casa de Bonecas parte 3, Editora Globo, 1990.

SANDMAN #17 –  Terra dos Sonhos – Calliope, Editora Globo, 1991.

Sobre Carla Umbria

Carla é Turismóloga - calma, não é transmissível - agente de viagens e estudante de Física pela UFPR. Escreve para um blog sobre destinos chamado "Desfazendo a Mala" e também contos para o site "Recanto das Letras". Participou do livro "A Des - Construção da Música na Cultura Paranaense" com o artigo "Por que não Metal?" sobre o Movimento Heavy Metal no Paraná, dos anos 70 até 2000. Apaixonada por quadrinhos, música, astronomia e brócolis na manteiga é politeísta, cultuando Neil Gaiman, P. Craig Russel, Robert E Howard, Isaac Asimov, Bill Sienkiewicz e muitos além, contudo, somente acende velas para Carl Sagan as segundas e Moebius as sextas. Os deuses são muitos, velas são caras.

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