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Morpheus retorna no prelúdio “Sandman” de Neil Gaiman

Postado originalmente em npr books em 31/10/2013

Tradução de Raquel Alves

ambiciosidade

Neil Gaiman começou a escrever os quadrinhos de Sandman 25 anos atrás. Desde então, ele escreveu aclamadas histórias de fantasia, livros infantis e peças teatrais. Mas o pálido, olhos-estrelados Senhor dos Sonhos permanece um de seus personagens favoritos. Ao longo de 75 edições, a série cativou fãs e críticos igualmente.

O epônimo Sandman, cujos nomes também incluem Morpheus e Sonho, é um de uma família de sete chamada de Perpétuos. Eles existem desde que o universo começou: Destino, Morte, Sonho, Desejo, Desespero, Delírio e Destruição. Como Neil explicou ao apresentador do NPR (National Public Radio – Rádio Público Nacional) Steve Inskeep, Morpheus e seus irmãos não são exatamente deuses. “No universo de Sandman, deuses perdem poder quando as pessoas param de adorá-los e os esquecem” diz Gaiman. “Mas os Perpétuos não querem ser adorados. Eles não ligam, eles simplesmente… só estão fazendo um trabalho.”

A última edição de O Sandman saiu uma década atrás. Agora, Neil está retornando com uma série de prelúdios, chamada O Sandman: Abertura. Ele conta a Inskeep sobre como ele ficou entediado com o terror, porque a Morte é mais legal que o Sonho e porque o roteiro dos quadrinhos são tão complicados.

 

Pontos Altos da Entrevista

 

A ambição da série Sandman

Bem, a glória de Sandman, (no começo), era que ninguém tinha feito nada como isso antes. Então não haveria possibilidade de nada dar errado, porque ninguém sabia o que esperar, o que era maravilhoso. Não havia nenhuma regra que dizia que eu não poderia sair e fazer complexas estórias históricas, ou que eu não poderia recontar Sonhos de uma noite de verão de Shakespeare em uma primeira e única apresentação diante de uma audiência convidada de todas as fadas e personagens de Sonhos de uma noite de verão, porque ninguém havia feito algo como isso para criar uma regra de que eu não poderia.

Começa quase como um quadrinho de terror. E então eu começo a ficar entediado com terror, daí se torna um quadrinho sobre outras coisas. Se torna sobre história; se torna sobre as responsabilidades dos líderes e reis; sobre se precisamos de deuses, e se sim, porque precisamos deles.

O papel de Sandman nos sonhos das pessoas

Essencialmente ele é o Senhor dos Sonhos. A ideia é de que quando você sonha, vamos para um tipo de subconsciente público. Enquanto ele pode estar trazendo pesadelos, ele estaria lidando com coisas que poderiam ser fundamentalmente muito perigosas para nós…

Ele não é terrivelmente interessado nas pessoas individualmente. Ele não é interessado em nossa redenção, ele simplesmente é interessado em administrar seu mundo. Sua irmã Morte é muito, muito mais legal do que ele, porque ela realmente é interessada nas pessoas. Ela tem que descer pessoalmente e conhecer cada pessoa individualmente… ela tem que ser a pessoa que vira pra você e diz, “Sabe, você realmente deveria ter olhado para os dois lados antes de atravessar aquela rua” e ela é legal.

O processo de criação de um quadrinho, como um escritor trabalhando com um ilustrador

Eu escrevo um roteiro, e é meio tipo um roteiro de filme, só que muito mais complicado. Em um quadrinho, é Página 1, Painel 1, e você tem que decidir o que está mostrando. Página 1, Painel 1 poderia ser um dedo em uma campainha.

A coisa engraçada sobre Sandman: Abertura está na página 2, eu fiz uma dessas coisas que se faz como escritor para tentar e colocar, sabe, esses artistas arrogantes com quem você trabalha em seus lugares. Eu pensei, bem, eu vou dar a ele algo impossível para fazer, e isso irá lhe ensinar. Então eu pedi a Jim, J.H Williams, para desenhar o Sandman, o Senhor dos Sonhos, como uma planta. E eu disse, “Simplesmente me dê uma flor branca que de algum modo lembre um rosto humano, e me dê folhas que fazem lembrar uma capa.” E não somente ele fez, mas fez bem melhor do que eu imaginava.

Se ele já começou a se assustar enquanto explorava um tema

Isso realmente aconteceu várias vezes enquanto eu estava escrevendo. Tinha uma história chama “Estação das Brumas” que essencialmente é o que acontece quando Lúcifer sai e fecha o inferno, expulsando todos de lá.

De repente o inferno se torna o lugar físico mais amplo e desejado do universo, e o pobre Sonho acaba tendo que decidir entre anjos; há senhores do caos e da ordem, há deuses Japoneses e deuses Gregos, todos eles… essenciais desenvolvedores do estado cósmico, todos querendo tomar posse, e ele tem que lidar com as consequências disso.

E você aparece com uma história como essa e continua com ela, isso é simplesmente muito estranho! E então você tem artistas mágicos trabalhando com você e pessoas fazendo acontecer, e no fim de tudo isso você se sente – maravilhado, e terrivelmente orgulhoso de si mesmo.

Se ele é Sandman

É verdade em um nível estranho, porque se você é um escritor, o modo como você escreve é que você sempre acha os pedaços de você que são aquela coisa, põe eles pra dentro e impregnam eles dentro de um personagem, os dando vida. Então basicamente, eu sou o Sandman. Mas eu sou Morpheus tanto quanto posso ser a Morte, como também posso ser Merv Pumpkinhead, que é o único personagem em todo o livro que não tem uma enorme quantidade de tempo para Morpheus, mas trabalha para ele.

Sobre dirigindo os sonhos das pessoas, como faz Morpheus.

Nós todos fazemos isso, todo escritor… um dos títulos de Sandman – e é um título que roubei de uma música de Lou Reed, que morreu recentemente – O Príncipe das Histórias. Eu acho que qualquer escritor que vale o pão que come chega a ser O Príncipe e Princesa das Histórias.
Nós podemos dirigir pessoas; nós podemos lhes fazer sonhar acordados. Nós podemos levá-los a lugares, fazer coisas mágicas em suas cabeças, e, com um pouco de sorte, os mandar de volta para o dia em que eles saíram de levemente mudado, e não a pessoa que eles eram quando pusemos nossas mãos sobre eles e dissemos “Eu quero lhe contar uma história.”

A entrevista inteira, você pode ouvir aqui ou clicar nesse link com a postagem original

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