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Você anda lendo muitos livros de homens brancos heterossexuais?

Imagine, se você puder, o profano furor que explodiria se um autor branco escreve um artigo onde ele implora para seus leitores não lerem livros de autores negros, judeus, homossexuais ou do sexo feminino.

Uma multidão de linchadores guerreiros da justiça social iriam persegui-lo até o esquecimento. Condenando-o para sempre como um racista, homofóbico, misógino porco que não têm direito a voz pública, muito menos um acordo de publicação.

Você conseguiu imaginar essa situação?

Então, está acontecendo a mesma coisa, só que no sentido inverso. Uma blogueira chamada K. Tempest Brasford, escritora feminista de Nova York, através de seu blog, está implorando que seus leitores parem de comprar livros escritos por homens brancos heterossexuais.

Você pode acompanhar a publicação clicando aqui. A postagem foi feita no dia 22 de fevereiro, onde ele pede encarecidamente, para que seis leitores parem de ler livros de homens brancos heterossexuais pelo período de um ano.

Ela disse que a maioria dos livros foram “amplamente limitado às vozes privilegiadas”.

E a lista negra dela começa com Neil Gaiman, o qual respondeu com um tweet:

Uma tradução aproximada: Para qualquer um que espera indignação, eu acho que artigo de @tinytempest em http://t.co/mz0ZDlHUCT é excelente, e não me importo de ser a capa.

 

Sobre Felipe Goulart

Administrador do site e página no Facebook Neil Gaiman Brasil.

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  • Juliana Toro

    Bom…ela esta falando de homens, Neil Gaiman é deus…logo. 😉

    • Vanessa Ingrid

      (AMEI) kkkkk Seu argumento é inválido perto de Neil Gaiman

    • Luan Garcia

      Mitou!

    • Nerd Supremo X Vaca que tosse

      só li verdades

  • Tati

    O sentido inverso que você coloca não existe, uma vez que homens brancos e heterossexuais não são minoria nem possuem seus direitos cerceados. Pelo contrário. Nós passamos a vida inteira lendo a perspectiva de homens brancos heterossexuais europeus, não vejo nada demais em dedicar um ano a diversificar a leitura. Gaiman parece entender isso como bom defensor dos direitos das minorias que é. Acho que você precisa se espelhar melhor e aprender mais com ele.

    • Jessé Luiz

      Se eu fosse um escritor branco (oq não sou, pq sou negro) seria justo meus fãs deixarem de ler meus livros pela cor da minha pela e da minha sexualidade? Eu escolhi ser branco ou hetero? Vá com calma moça, acho que está havendo segregação aqui.

    • Na verdade. o termo que coloquei, foi uma tradução livre que fiz do The Telegraph. E, não modifiquei, pois eu concordo. Você está maximizando um pouco a situação. O sentido inverso nesse caso, foi direto à colocação da blogueira. Você não deve deixar de ler um autor pela sua cor de pela, opção sexual, religião… apenas leia esse autor.

    • Luan Garcia

      Gente, socorro! É muito binarismo!

  • Camila Makie

    é bem engraçado, pq nos contos de sandman temos o destino como bissexual, e varias cenas com homossexualismo, e tipo na época até a morte ensinava a usar o preservativo para evitar contaminação de HIV ( ao menos eu lembro disso em um dos livros da morte que vieram para o brasil)… então… me pareceu um pouco sem sentido pq, tudo indica, neil gaiman não é homofóbico, ele ate aparenta se engajar na causa adicionando em algumas obras suas, todos os tipos de pessoas…

  • jonatans

    Você anda lendo muitos livros de homens,brancos, CIS e heterossexuais ? 🙂
    No próprio post você não colocou se está lendo ou não, obrigado pela matéria e por traduzir. :*

  • Luan Barros

    Isso é uma babaquice, ninguém lê uma obra procurando qual a sexualidade ou cor de pele do autor, procura-se qualidade. É muita idiotice sequer cogitar seguir esse tipo de desafio.

    • Dom Lino

      Luan, mas pra você realmente pode não se aplicar essa ideia, porque você é homem e branco. Mas eu como homem negro, por exemplo, também fico meio chateado de não ter muitas representações diferentes do padrão branco. Negro em filmes e literatura em geral são personagens menos aprofundados, muitas vezes meros figurantes. Talvez não se aplique a você porque você é como os autores. Você já é contemplado pelas obras escritas por homens brancos heterossexuais. Daí pra você é mais fácil procurar apenas por qualidade =) Mas esse desafio pode ser importantíssimo para pessoas que querem se ver representadas em obras. Essa crítica e esse desafio têm a ver com a vontade de sentir representado em obras de ficção. Por exemplo, você sabia quem em jogos de videogame, apenas cerca de 15% dos personagens não são brancos? Isso inclui todas as outras raças: negros, asiáticos etc. 15% apenas, num mundo tão vasto onde brancos não são maioria. Em filmes e literatura isso também não é muito diferente, especialmente em se tratando de obras consagradas e famosas.

      • Luan Barros

        Eu entendo sua reivindicação, mas não foi bem esse o ponto que eu quis tratar. O que eu quis dizer com meu comentário é que eu não olho o nome do autor e vou pesquisar: “Hum, esse cara é branco ou negro? Heterossexual ou homossexual? Se ele for negro ou gay eu não vou ler!” Não é esse o ponto! Cor de pele não define qualidade, e a menos que tenha uma foto do autor na capa do livro ninguém sabe quem ou como ele é a primeira vista. E não precisa ser um autor negro para retratar personagens negros, nem um autor gay para retratar personagens gays. Se os autores dessa “etnia” (que não é etnia coisa nenhuma, não existe uma alteração genética significativa para caracterizar-nos como raças diferentes) não possuem espaço suficiente ou a culpa é das editoras que estão sendo racistas e preconceituosas ou esses autores não estão batalhando o suficiente. Culpar os leitores por isso é pedir demais e é muito vitimismo. Se os livros escritos por esses autores tiverem qualidade eles serão lidos, não importando sua cor de pele.

        • Toribio Gubert

          Não necessariamente, não acho muito bom este teu argumento “Se os livros escritos por esses autores tiverem qualidade eles serão lidos, não importando sua cor de pele.” Primeiro pq qualidade tem muitas questões subjetivas, muita gente vê muita qualidade em Paulo Coelho, eu não compartilho dessa opinião. Depois temos todas as questões editoriais, editoras buscam livros que devolvam o que elas investiram, pode ser 100 anos de solidão, pode ser Crepúsculo, de uma questão de mercado, imagino que brancos consumam mais do que negros, já que em geral brancos tem mais recursos e melhores salários que negros. Pelo menos como estatística geral, então eu vou investir na escritora branca que escreve livros semi pornográficos pra donas de casas de meia idade brancas ou em uma literatura marginalizada negra para negros? O crivo das editoras deixa muita coisa de fora e pode ter certeza que tem muitos escritores negros batalhando pra caralho pra chegar lá mas sem conseguir um espaço maior.

          • Luan Barros

            Mais uma vez o que você retratou foi uma questão de mercado, e mais uma vez não se trata de culpa dos leitores. Mercado não se baseia em cor de pele, orientação sexual ou gênero, se baseia em o que vende mais e o que vende menos.

        • Carlita Fogo

          A questão é que você não faz isso, mas muitos o fazem!
          Não é a proposta dela como estão colocando, mas entendi seu ponto de vista!
          A questão é que tem muito seguidor de modinha e os famosos defensores da família tradicional que podem pegar um livro, achar interessante mas quando vê que o autor é uma mulher negra ou um homem gay por exemplo, eles ignoram o livro somente por esse motivo! Acredite, isso existe!

          • Luan Barros

            Mas de toda forma, se isso for destinado realmente ao machista/homofóbico/racista a reivindicação é falha, pois estes nunca iriam abandonar seus atos nojentos por causa desse movimento. Muito pelo contrário, iam se dizer perseguidos e falariam muito mal desses movimentos.

  • Luiz Felipe Barreto

    Não se importa de ser capa… GAHuaHUAhauHAuahUA… Isso é que é classe Mister Gaiman.

  • Adalton Silva

    Opa, Felipe! Blz?

    Cara, não consegui ler essa proposta que você apresenta no seu post lá no texto da moça. O que ela propõe é uma reflexão sobre as coisas que lemos, uma seleção do que seria o cânone pra ela. Em nenhum momento ela tá implorando para que as pessoas deixem de ler determinados tipos de textos, mais sim que passemos a ter outros olhares. Como por exemplo passar um ano lendo literatura oriental. O que ela propõe é simplesmente olhar para o diferente.

    • Opa Adalton,
      Na verdade, essa postagem foi um resumo do que foi postado no The Telepraph, onde é abordado mais à fundo a opinião dela. Inclusive, se você olhar o blog dela, o qual linkei, vai ver mais claramente a opinião dela.

      De qualquer forma, isso está aberto à interpretações.

  • Depois de Neil Gaiman ter apoiado os Republicanos e feito diversas declarações reacionárias, não é atoa que está no topo da lista dos autores banais.. Leia Alan Moore…rsrs

  • thais

    Eu até entenderia o argumento dela se ela tivesse segurando um livro sei lá, do José de Alencar ou então A Moreninha…. ou o equivalente disso em inglês.
    Mas cara, Neil Gaiman já escreveu sobre todo tipo de fantasia, tem personagens mulheres phodanas , tem negros phodoes , tem monstros e deuses e seres mitológicos e contos de fadas….
    E não vejo hetero normatividade nas histórias dele, nem machismo.

    (querem ver machismo do fim de 1800 início de 1900? Leia the People o the mist do H Rider Haggard, ou Tarzan ou até mesmo a máquina do tempo, que me pareceu um desfile da mentalidade masculina superior européia dando um show de pequenas burrices, a histórias são ótimas, mas o contexto era um século e meio atrás né gente)

    • Carlita Fogo

      Mas ela não está falando do que é escrito por eles! Você leu a ideia dela ou só o texto da página?
      Até o Gaiman concordou com a ideia dela!

  • Conan Goodwin

    ela devia ler mais a obra, que é o que no final das contas realmente importa, do que julgar os autores com tanto pré conceito.

    Uma da partes mais importantes do universo Sandman, um de seus maiores amores, se passa na cultura africana.

    só pra citar UM exemplo.

    http://www.brucetringale.com/wp-content/uploads/2014/06/Sandman-et-Nada-un-amour-infiniment-dangereux.jpg

  • Luan Garcia

    Na boa, eu estou cagando para o sexo, a orientação sexual ou a cor dos autores que eu leio. Quer que eu leia suas obras? Escreva um livro de qualidade! Eu não vou ler livro ruim por causa do autor. Essa autora deve ser muito ruim pra ficar implorando para lerem os livros dela desse jeito.

  • Aquiles

    Vocês tão ligados que o Neil Gaiman concorda com a proposta né?

  • Renê Airton

    entendam, ela não esta criticando Neil Gaiman. Antes de sair falando do texto da moça vejam do que se trata. Primeiro vamos ver a quem ela está postando o texto: é uma escritora (ou leitora, não sei) com um publico alvo que tem uma bagagem literária boa. Ela está fazendo incentivando uma campanha de parar de ler autores brancos, cis homens e heterossexuais por um ano (não a vida toda, um ano). O publico que ela atinge lê Neil Gaiman e inclusive ela, provavelmente, lê Neil Gaiman. Por que ela postou justo o livro dele? Simples, pra causar impacto, chamar atenção, e ela argumenta bem isso no texto, é um questão apenas de variar o tipo de leitura. O próprio Gaiman leu o texto e com certeza apoia a campanha. Chega a ser decepcionante que os fãs do autor não entenderam a mensagem que ele quis passar. A campanha é simples, parar de ler esses autores durante um ano, e ela, também leitora e também conhecedora da obra de Neil Gaiman, postou a foto com o livro dele meio que dizendo “sim, nem ele escapa”. Pois é, até ele entendeu e vocês aí nesse drama

    • Carlita Fogo

      A questão é que poucos leram a ideia dela, ficaram apenas com o titulo da postagem!
      Acontece…

  • Nerd Supremo X Vaca que tosse

    FEMINAZI É FOGO

  • Robson Dos Santos Soares

    “Falem bem, falem mau, mas falem de mim!” 😉